O empate no campo ganhou desdobramentos institucionais após o lance entre Kaio Jorge e o zagueiro Ruan Tressoldi. Na sessão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, o advogado do Atlético-MG, Rafael Libertuci, fez dura acusação contra o atacante do Cruzeiro, qualificando a ação como "tentativa de homicídio" e cobrando medida mais rigorosa do tribunal. A fala interrompeu o tom habitual dos debates e jogou luz sobre a tensão crescente entre os rivais.

O episódio ocorreu aos 1 minuto do clássico pela Copa do Brasil. O árbitro marcou falta e não aplicou cartão; Ruan seguiu em campo, mas foi substituído aos 18 minutos a pedido da equipe médica, coordenada pelo Dr. Rodrigo Lasmar. O jogador foi encaminhado ao hospital, onde exames descartaram lesão grave, mas o Atlético entendeu a gravidade do lance e levou o caso ao STJD, pedindo apuração e punição.

No julgamento, a defesa do Galo ainda apontou histórico de condutas do atacante em clássicos recentes, com menções a episódios de conduta antidesportiva. A defesa do Cruzeiro, representada por Michel Assef, contestou o tom e as acusações, o que gerou interrupção e discussão durante a sessão. Apesar da argumentação atleticana, a pena aplicada acabou sendo uma suspensão de um jogo, convertida em advertência, o que libera Kaio Jorge para o segundo duelo das quartas, na Arena MRV.

A decisão do STJD expõe uma contradição: a percepção de risco e reincidência levantada pelo Atlético colide com a opção do tribunal por uma penalidade amena. Para o clube e sua torcida, isso reforça sensação de leniência perante faltas de maior gravidade em clássicos, enquanto para o Cruzeiro a conversão da pena evita impacto esportivo imediato. O resultado acende discussão sobre critérios disciplinares e o equilíbrio entre proteção ao atleta e interpretação das imagens em julgamentos esportivos.