O Atlético inicia sua caminhada na Copa do Brasil 2026 diante do Ceará, em confronto definido no sorteio realizado na tarde de segunda-feira, 23 de março, na sede da CBF. A disputa começa em Belo Horizonte, com o primeiro jogo previsto para os dias 22 ou 23 de abril na Arena MRV; a partida de volta está marcada para o Castelão, em Fortaleza, em meio à janela prevista para 13 e 14 de maio. Trata‑se, portanto, de um duelo em ida e volta que exige leitura precisa de calendário e gestão de elenco.
Do atual elenco do Galo, três nomes carregam o peso do último título nacional da Copa do Brasil: o goleiro Everson, o zagueiro Junior Alonso e o atacante Hulk. Esses atletas estiveram na campanha vitoriosa de 2021, que teve na final duas vitórias sobre o Athletico‑PR — uma goleada em casa e uma confirmação na partida de retorno — e em que Hulk foi destaque ofensivo da competição. A presença desses remanescentes traz memória de conquistas e também expectativas da torcida.
Trio de remanescentes traz experiência, mas não garante favoritismo.
Hulk foi o grande artilheiro daquela edição da Copa do Brasil, com oito gols, e também terminou 2021 como maior goleador do Campeonato Brasileiro, com 19 tentos, números que explicam a importância simbólica e técnica do atleta para o clube. Everson permanece como opção segura no gol, enquanto Junior Alonso teve trajetória atípica: deixou o clube em janeiro de 2022 rumo ao Krasnodar, retornou por conta do conflito entre Rússia e Ucrânia, voltou ao exterior no fim de 2022 e permaneceu até meados de 2024, quando regressou ao Atlético em definitivo. Esse histórico reforça a noção de que o zagueiro conhecia o clube antes de um retorno definitivo.
Ainda que a presença dos três remanescentes acrescente experiência, o fato de o núcleo de conquistas ser citado com destaque também ilumina um ponto que preocupa parte da torcida: a dependência de nomes consolidados. Em fases eliminatórias, experiência pesa, mas não substitui alternativas táticas e rodagem do grupo. O Campeonato exige equilíbrio entre memória vencedora e responsabilidade profissional: o clube precisa garantir que a liderança de atletas veteranos seja acompanhada por preparação física, opções no banco e leitura de jogo para ambos os confrontos.
Do ponto de vista prático, o mando de campo na ida é vantagem limitada. Jogar no Mineirão ou na Arena MRV diante de seu torcedor é sempre desejável, mas o formato de ida e volta transforma o duelo numa equação em que resultado agregado e critérios como gol fora de casa podem pesar. Para o Atlético, as chaves são objetivas: impor seu jogo em casa, evitar sustos no primeiro duelo e chegar ao Castelão com margem confortável. Para o Ceará, o segundo jogo em casa significa potencial pressão atmosférica e necessidade do Galo em administrar desgaste físico e roteiro de viagens.
A missão começa na Arena MRV; a decisão será no Castelão.
Politicamente dentro do clube, uma passagem tranquila pela Copa do Brasil reforça a direção e a comissão técnica, enquanto uma eliminação prematura pode ampliar cobranças e aumentar a insatisfação da torcida, sobretudo se vier diante de um adversário que se espera superar. A competição tem impacto direto na avaliação pública do projeto esportivo: títulos e campanhas alimentam caixa, moral e credibilidade; quedas cedo demais produzem desgaste seletivo na relação entre diretoria, comando técnico e associados. No plano jornalístico, a dupla condição de torneio eliminatório e de calendário apertado torna cada decisão técnica e administrativa relevante.
Em resumo: o duelo com o Ceará abre a possibilidade de buscar o tricampeonato, apoiado pela experiência de Hulk, Everson e Junior Alonso, mas exige do Atlético capacidade de modernizar a execução, não apenas repetir nomes do passado. As datas de abril e maio serão o primeiro teste concreto dessa equação, com a equipe convocada a mostrar que a lembrança do título de 2021 pode se traduzir em competência em campo e não apenas em narrativa. A expectativa da torcida é alta; a cobrança, inevitável.