A noite de quarta-feira deixou a impressão de rotina traumática para quem acompanha o Atlético-MG na Vila Belmiro: mais uma exibição em que o time mostrou-se frágil e incapaz de competir de igual para igual. O empate técnico do primeiro tempo dissolveu-se no intervalo e, na etapa final, o Galo desmoronou, sofrendo dois gols e saindo com uma derrota que complica muito a vaga nas semifinais da Sul‑Americana.
Eduardo Domínguez escalou a equipe com o retorno de Lyanco e Maycon, e teve de improvisar Preciado pela direita para suprir a suspensão de Cuello. A estratégia inicial — fechar espaços e não permitir o volume santista — funcionou em parte: o Atlético ofereceu pouca criação, mas ao menos conseguiu controlar os ataques rivais na primeira metade. Foi o jogo de poucas chances, com Delfim exigido em uma saída perigosa no começo.
O jogo, porém, mudou em bola parada. Em cobrança de escanteio curto, Arão aproveitou o toque de Gabigol e a desatenção de Lyanco para abrir o placar. Na volta do intervalo, o time perdeu o meio-campo, passou a ceder transições e só conteve o estrago graças a defesas importantes de Delfim — até que Ola marcou o segundo. Substituições e mudanças de postura não surtiram efeito; erros de jogadores de referência, como Fred, pesaram na alteração da dinâmica defensiva.
O resultado deixa o Galo em situação desconfortável: tecnicamente ainda vivo, mas obrigado a vencer com postura muito diferente na Arena MRV. É insuficiente voltar ao Mineirão esperando consertos mágicos; será preciso correção tática, maior intensidade nos duelos e repertório ofensivo para inverter o placar. A torcida, que viu o time volta a decepcionar longe de casa, aumentará a cobrança — e a comissão técnica terá poucas respostas prontas se insistir em erros já evidenciados.