O Atlético-MG entrou no ano sob desconfiança, em meio a problemas de montagem do elenco e promessas não cumpridas. Desde a mudança de comando técnico, o time encontrou estabilidade: são nove jogos sem derrota — seis vitórias e três empates — com aproveitamento de 77%, a última derrota datada de 24 de maio, diante do Corinthians. O triunfo por 3 a 0 na Arena MRV, no domingo, escancarou a sequência e devolveu moral para as competições que estão por vir.

A base do momento passa pelo trabalho de Eduardo Domínguez. O time ganhou organização defensiva, bloco mais compacto e marcação agressiva na saída de bola, resultando em seis jogos sem sofrer gols nos nove confrontos recentes. A coesão coletiva, com avanços na transição defensiva, permite que atacantes também auxiliem na recomposição, reduzindo espaços e expondo adversários.

Individualmente, alguns jogadores evoluíram: Natanael se firmou pelo lado direito, Tressoldi consolidou a proteção da zaga, Lodi passou a ocupar o corredor esquerdo quase como ponta, e Bernard se tornou referência ofensiva e criativa. A sucessão de gols está distribuída — Cuello (6), Bernard (6), Hulk (5) e Cassierra (5) — o que indica repertório, mas não elimina gargalos.

O principal ponto de atenção é a posição de centroavante. Cassierra vive fase irregular, Reinier foi testado e o recém-contratado Borbas ainda não teve oportunidades. Há também questões em bolas aéreas e momentos de desconcentração que cobram soluções. A invencibilidade dá fôlego para a temporada, mas, sem respostas para o centroavante e ajustes pontuais, a sequência pode virar janela de alerta em fases decisivas.