A rodada de ida das oitavas da Copa do Brasil evidenciou um fenômeno tático que vem se repetindo: posse de bola sem efetividade. O Atlético-MG foi protagonista desse padrão. Teve a bola, tocou, circulou e criou oportunidades limitadas — resultado: nenhum gol e a sensação de que o time preferiu ocupar o campo em vez de atacar com profundidade.
O Juventude apresentou o modelo que tem emperrado mandantes nesta fase: duas linhas compactas que fecham o corredor central e obrigam o oponente a buscar soluções pelas alas ou por jogadas isoladas. O Atlético esbarrou nessa muralha sem, no entanto, ter um plano claro para romper a compactação — faltou verticalidade, infiltração de laterais e um elemento surpresa no último terço.
O cenário geral das oitavas ajuda a entender a dor atleticana: Palmeiras e Internacional conseguiram alternativas — transição rápida e infiltração surpresa, respectivamente — que resultaram em placares mais folgados. Por outro lado, vários mandantes viram o zero prevalecer quando não havia criatividade nos últimos metros. Para o Galo, a volta no Sul não será um simples confronto tático, mas um teste de capacidade de adaptação.
Conclusão: a equipe de BH volta com obrigação de transformação. Manter posse apenas como estatística não basta. Será preciso ousar nas rotações de pontas, infiltrar laterais e procurar o arremate transversal que derrube o bloco adversário. Se insistir em um jogo previsível, a vaga pode virar loteria e a cobrança, interna e da torcida, tende a aumentar.