A chegada de Eduardo Domínguez ao Atlético foi recebida com ceticismo por quem se acostumou ao jogo de alta posse e intensidade de Jorge Sampaoli. O rótulo de 'barbabol' — um futebol mais pragmático, marcado e baseado em transições diretas — parecia destoar do DNA recente do clube. O que se viu, porém, foi uma evolução rápida: após a Copa do Mundo, o time soma uma sequência invicta de 12 jogos e sofreu apenas sete gols nesse período, resultado de ajustes táticos que priorizam controle de espaços e disciplina defensiva.
Na prática, o desenho de Domínguez valoriza alas que participam ativamente da marcação e, ao mesmo tempo, apoiam o ataque. Renan Lodi e Cuello exemplificam essa dupla função: quando o Atlético perde a bola colaboram para compactar linhas; quando a equipe tem a posse, avançam com liberdade para cruzar ou pisar na área. O técnico também apostou em rotinas que exploram saídas rápidas e menos em posse prolongada — uma leitura que vem dando resultado, com aproveitamento de 60% no pós-Copa (dez jogos: quatro vitórias e seis empates).
Ainda assim, o modelo tem limites concretos. A deficiência no setor ofensivo é a mais visível: Cassierra acumula 14 jogos sem marcar, e a equipe sente falta de um centroavante mais decisivo na área. Na defesa, as ausências de Léo Duarte (lesão muscular na coxa direita) e Lyanco (ruptura da fáscia plantar do pé esquerdo) expõem a necessidade de reforçar a zaga — particularmente com um zagueiro canhoto que aperfeiçoe a saída 'por fora' e ajudaria a potencializar as subidas de Lodi.
A direção do clube, portanto, tem um dilema prático: preservar o momento de solidez tática promovido por Domínguez, ao mesmo tempo em que corrige lacunas que podem comprometer resultados mais ambiciosos. A provável entrada de Fred promete melhorar a gestão de bola no meio e aumentar a posse média, mas não resolve sozinho a escassez de gols nem a urgência por peças defensivas. Se o Atlético quiser transformar a invencibilidade em vantagem consistente na tabela, será preciso reforçar o elenco com alvo claro: um centroavante finalizador e um zagueiro de perfil canhoto.