A fase de ida das oitavas da Copa do Brasil entrou para o livro negro das estatísticas: foram apenas nove gols somados nas oito partidas, a segunda pior marca da etapa — igual à edição de 2019 e atrás apenas de 1990. A média histórica nas oito partidas iniciais costuma girar em torno de 19 gols; nesta temporada o índice caiu para menos da metade do esperado.

O episódio ganhou contornos incomuns já no primeiro dia, quando três partidas realizadas no sábado terminaram sem balançar as redes: Vasco x Fluminense, Atlético-MG x Juventude e Santos x Remo. Posteriormente, Chapecoense e Cruzeiro também fizeram 0 a 0. No conjunto da rodada, 10 dos 16 clubes saíram sem marcar sequer um gol, número que reforça a austeridade ofensiva observada.

Além da estatística fria, o quadro tem implicações práticas: jogos com poucos gols reduzem a atratividade da competição e podem pressionar tecnicamente treinadores e elencos. Para o Atlético-MG, especificamente, o empate sem gols diante do Juventude amplia cobranças sobre a criação e eficiência no último terço, sem que se possa apontar um único fator isolado — trata‑se de um padrão que combina opções táticas, fase dos atacantes e possíveis decisões de escalação.

Os números devem ser lidos como fotografia do momento, não como sentença definitiva. As partidas de volta podem reverter o saldo ofensivo, mas a combinação de baixo desempenho e interesse do torcedor já acende um sinal: clubes e organizadores terão de avaliar se é pontual ou reflexo de problemas mais estruturais na programação, preparação e prioridade nas competições.