O Cruzeiro vive um momento atípico e custoso no futebol feminino: seis jogadoras sofreram rupturas do ligamento cruzado anterior (LCA) ao longo de 2026, um número incomum que afetou diretamente o desempenho da equipe. As atletas lesionadas são Milena (primeiro caso, 16 de abril), Gaby Soares (lesão confirmada 13 dias depois, tratando-se da segunda ruptura de LCA da jogadora), a jovem Ravenna (17 anos, lesionada em 22 de maio), Tainara e Laura Felipe (lesionadas seis dias após Ravenna) e Paloma Maciel (machucada durante atividade na Granja Comary com a seleção brasileira).

A sequência de lesões teve efeito prático no planejamento da temporada. O Cruzeiro, que se preparava para disputar competições de peso, como a Libertadores, sofreu desfalques especialmente na defesa e viu a rotação de elenco reduzir-se em um momento que exigia profundidade. A gestora do futebol feminino, Luiza Parreiras, admitiu que a situação forçou o clube a questionar processos e que não aceitará tratar os casos como meras fatalidades, sinalizando mudança de postura interna sobre prevenção e acompanhamento médico.

Entre as medidas adotadas pelo clube estão revisão das cargas de treino, maior controle da chamada carga interna e externa e o monitoramento diário de sintomas por meio de questionários pré e pós-treino. O Cruzeiro também incorporou o acompanhamento do ciclo menstrual das atletas como parâmetro para ajustar preparação física e reduzir riscos. Houve foco ampliado em práticas de recuperação — sono, alimentação e protocolos de recovery — e todas as jogadoras operadas contaram com o Dr. Sérgio Campolina; a equipe médica do masculino passou a integrar o núcleo feminino para acompanhar causas e reabilitação.

No balanço geral da temporada, os seis casos se destacam tanto pela quantidade quanto pelo efeito sobre competitividade e planejamento. Os demais clubes não tiveram casos registrados na temporada, segundo o levantamento, e o Corinthians optou por não informar sua situação. A expectativa do Cruzeiro é que as atletas retomem atividades apenas no ano seguinte, mas o episódio acende um alerta sobre prevenção, investimentos em preparação física e a vulnerabilidade que lesões graves impõem à continuidade esportiva e ao projeto do clube.