O sorteio das quartas de final da Copa do Brasil reservou um aperitivo à moda antiga: três dos quatro confrontos serão clássicos regionais — entre eles o clássico mineiro Cruzeiro x Atlético-MG. Curiosamente, a CBF anunciou que a final passará a ser disputada em jogo único a partir de 2026; na prática, para muitos clubes esta edição se resolverá em mata-matas que têm cara de decisões em ida e volta.
Para o Galo, enfrentar o Cruzeiro em chave de eliminação direta eleva a intensidade e amplia a cobrança sobre elenco e comissão técnica. Em clássicos tão acirrados, cada escolha tática, cada substituição e cada erro são penalizados com mais severidade pela torcida e pela imprensa, e o ambiente interno do clube tende a se polarizar mais rapidamente.
O resultado do sorteio tem tom improvável: antes do evento, a chance de ocorrer exatamente esses três clássicos era de uma em 105. Além de Cruzeiro e Atlético, o cruzamento colocou Gre-Nal e Palmeiras x Santos nas quartas; apenas Vasco e Vitória não ficaram frente a rivais estaduais. O efeito prático é óbvio: bilheteria, rivalidade e tensão aumentam, e a Copa do Brasil entra no calendário com calor extra.
Do ponto de vista estratégico, o confronto força decisões: repartir forças entre competições ou priorizar a Copa do Brasil? Para o Atlético-MG, a resposta terá preço político junto à sua torcida e poderá influenciar avaliação da temporada. Em vez de um jogo único futuramente, o Galo já começa a sentir, nos dois jogos que virão, o gosto de uma final.