Menos de dois meses depois da final do Campeonato Mineiro que terminou em confusão, Cruzeiro e Atlético-MG se reencontram neste sábado pelo Brasileirão, exatamente no palco da pancadaria: o Mineirão. A partida de 8 de março, decisão em jogo único, foi interrompida nos acréscimos após um empurra-empurra que evoluiu para briga generalizada entre jogadores e membros das comissões técnicas.

A súmula do jogo relatou 23 cartões vermelhos — 12 do Cruzeiro e 11 do Atlético — e o caso foi levado ao TJD-MG. Houve acordo entre os clubes e a Procuradoria: os denunciados receberam suspensão de quatro jogos, pena que só será cumprida no próximo Campeonato Mineiro. Entre os citados estão atletas, o goleiro Cássio (fora por lesão grave) e o massagista Aluizio Carlos dos Santos, do Galo.

O reencontro no Brasileirão tem tom de cobrança e aponta para problemas disciplinares não resolvidos. No Cruzeiro, Walace treina separado desde abril após polêmica interna; no Atlético, Hulk também foi afastado da lista em compromissos recentes por causa de negociações de transferência e treina à parte. Ambos participaram da confusão do Mineiro e voltam ao centro das atenções desta vez por motivos diferentes.

No episódio que incendiou o clássico, o goleiro Everson dividiu bola com Christian, permaneceu com a posse e ajoelhou-se sobre o volante cruzeirense para reclamar da entrada — reação que escalou o confronto. Em outro momento, Hulk acertou Lucas Romero e o massagista do Galo foi flagrado atingindo o adversário com um chute. Situações que expõem falhas de controle em jogos de alta tensão.

Para o Atlético-MG, o desafio é duplo: disputar pontos importantes no Brasileirão enquanto administra desgaste interno e imagem pública. A partida no Mineirão será, portanto, mais do que um duelo de tabela: é um teste de disciplina e gestão de elenco para a comissão técnica e a diretoria, que precisam evitar que problemas extracampo contaminem rendimento e ambiente dentro do vestiário.