Cuello vive a melhor temporada da carreira e acabou por assumir um papel que estava vago desde a saída de Hulk: ser a referência ofensiva do Atlético-MG. Com sete gols e sete assistências em 39 jogos na temporada, o argentino emergiu como a solução num momento em que os centroavantes do clube atravessam seca de gols.
O desempenho recente é o sinal mais claro da evolução: quatro gols nos últimos quatro jogos, com participações decisivas — gol na ida e na volta contra o Bragantino que classificou o Galo à próxima fase da Sul-Americana, dois gols na vitória por 3 a 0 sobre o Grêmio e assistência para Renan Lodi no empate com o Cruzeiro pela Copa do Brasil. Em 2026, Cuello igualou a marca de sete gols que teve em 2021, mas com aproveitamento superior atuando pelo Atlético.
Do outro lado da balança, a equipe segue sem um substituto claro para o papel de centroavante de referência. Cassierra acumula 14 jogos sem marcar; Thiago Borbas ainda busca ritmo e minutos relevantes; e a alternativa da base, Cauã Soares, tem recebido poucas oportunidades. A combinação de jejum no centro e a dependência da produtividade de pontas e meias expõe uma fragilidade tática que Domínguez terá de resolver.
Na prática, Cuello dá fôlego ao Galo e alivia um problema imediato de produtividade, mas a solução é parcial: confiar em um ponta para suprir a ausência de um centroavante de qualidade pode funcionar pontualmente, mas coloca pressão sobre a comissão técnica e a direção na janela de transferências e na gestão de elenco. Se o time quiser ir longe em mata-matas e ficar competitivo no Brasileirão, a busca por uma referência de área volta a ser prioridade.