O primeiro semestre de 2026 foi de rearranjo para o Atlético. A SAF ganhou novo CEO, o clube trocou o comando técnico e incorporou um diretor técnico ao departamento de futebol. As alterações têm objetivo declarado de profissionalizar decisões, distribuir responsabilidades e dar mais sustentação ao planejamento esportivo — mas também aumentam a conta política sobre quem conduz o projeto.
Pedro Daniel, anunciado em dezembro de 2025 e em atividade desde o início da temporada, substituiu Bruno Muzzi, que comandava a gestão desde 2022 e esteve à frente da construção da Arena MRV. Com passagens por projetos na Fifa, Conmebol e CBF e envolvimento em propostas de Fair Play Financeiro, o novo CEO encara como prioridade reduzir passivos, ampliar receitas e equilibrar a saúde econômica da SAF. Sua presença diária na Cidade do Galo e o diálogo mais constante com a imprensa mostram tentativa de dar visibilidade e ritmo ao ajuste.
No campo, a troca por Eduardo Domínguez, fechada no fim de fevereiro para substituir Jorge Sampaoli, teve sinais mistos. Em sua estreia no futebol brasileiro, o argentino alternou bons momentos e fases de instabilidade: o time liderou sua chave na fase de grupos da Copa Sul-Americana e avançou direto às oitavas; na Copa do Brasil eliminou o Ceará e agora enfrenta o Juventude; no Brasileiro, o desempenho foi irregular, com o Atlético em nono lugar, 24 pontos, e contraste claro entre força na Arena MRV e fragilidade como visitante. Em 24 partidas sob comando de Domínguez, foram 11 vitórias, três empates e 10 derrotas — aproveitamento de 50%, com 27 gols marcados e 25 sofridos.
Já durante a temporada o clube anunciou, em 18 de maio, a contratação de Guilherme como diretor técnico, buscando reforçar a estrutura do futebol com um nome de conexão com a torcida. No conjunto, as mudanças indicam um esforço por profissionalizar a gestão e dar bases ao projeto de longo prazo, mas a alternância de comandos e o rendimento irregular em campo deixam claro que a transição ainda precisa traduzir-se em consistência esportiva. A direção terá de conciliar ajustes financeiros com cobranças imediatas por resultados, sob risco de desgaste se a evolução não for percebida na sequência da temporada.