O Atlético-MG sofreu uma derrota incomum e constrangedora na estreia da Copa Sul-Americana: 2 a 1 para o Puerto Cabello, primeira vez que perde para um adversário venezuelano. O resultado abriu espaço para uma resposta pública dura do treinador Eduardo Domínguez, que não tentou transferir a responsabilidade e admitiu erro pela escalação.

Domínguez foi direto ao ponto: classificou a atuação como inaceitável e disse que a cobrança da torcida será justa. O técnico repetiu que vestir o manto não autoriza acomodação e que, independentemente do adversário, a postura em campo precisa ser outra — crítica que recai sobre jogadores e comissão técnica.

Não podemos permitir uma atuação como essa; a cobrança da torcida será com razão.

A opção por uma equipe reserva, em função do calendário carregado até a Copa do Mundo — com mais 15 jogos previstos e média de uma partida a cada três dias — foi explicada como controle de cargas. Ainda assim, a escolha expôs limitações de elenco e deixou claro que o rodízio, quando mal calibrado, tem custo imediato em competições internacionais.

Politicamente dentro do clube, o resultado complica a margem de manobra do treinador: derrota fora de casa em estreia continental tende a amplificar a cobrança interna e a reação da arquibancada, sobretudo se os próximos jogos no Brasileirão não confirmarem recuperação. A leitura é prática: o time precisa retomar intensidade e coesão para evitar erosão da confiança.

O calendário não dá folga. O Atlético volta a campo no sábado contra o Santos, na Vila Belmiro, e recebe o Juventud em 16 de abril pela Sul-Americana. Domínguez terá pouco tempo para ajustar peças e recuperar o crédito perdido numa derrota que deixou marca e perguntas sobre gestão de elenco.

Não é por vestir o escudo que somos melhores; todas as partidas vão ser difíceis e precisamos provar em campo.