Em seis meses no comando do Atlético, Eduardo Domínguez conseguiu algo que poucos técnicos alcançam tão cedo: imprimir personalidade. São 33 jogos à frente do time, com 15 vitórias, oito empates e 10 derrotas — aproveitamento de 53% — e uma sequência de 11 partidas sem perder que devolveu confiança ao ambiente do clube. Na comparação direta com o último período de Sampaoli, Domínguez aparece melhor numericamente: o antecessor terminou a passagem com 10 vitórias, 15 empates, oito derrotas e 45% de aproveitamento.
O rótulo dado pelo torcedor — 'Barbola' — e o apelido do estilo, 'barbabol', resumem a transformação: um Atlético mais contido, com linhas baixas e foco na compactação defensiva. Não é um time de volume; é uma equipe pragmática que privilegia segurança e transições. O modelo trouxe resultados e, em campo, ganhou o respaldo do vestiário, que passou a responder bem às orientações do argentino.
Apesar disso, a imagem não é isenta de reparos. O Galo viveu oscilações ao longo da temporada e sofreu mais do que deveria em mata-mata: escapou por detalhes diante de Ceará, Juventude e Bragantino — episódios que expõem fragilidades quando a partida exige iniciativa ofensiva clara. Jogadores como Bernard reconhecem que há espaço para evolução individual e coletiva, e o próprio treinador já passou por momentos de tensão (como o episódio do pontapé na garrafa e rumores de pedido de demissão após derrota para o Coritiba), que ele negou em público.
No tabuleiro mais amplo, o resultado prático do trabalho ainda pede confirmação: o Atlético ocupa a sétima colocação com 33 pontos, a seis do G-5, e continua vivo na Sul-Americana e na Copa do Brasil — caminhos alternativos para chegar à Libertadores. A leitura é clara: Domínguez ganhou o vestiário e parte da torcida, mas se quiser transformar invencibilidade em progresso definitivo, precisará imprimir mais consistência e soluções ofensivas que justifiquem o pragmatismo sem sacrificar ambição.