O goleiro Everson entrou em campo no clássico contra o Cruzeiro mesmo com uma fratura no pé esquerdo, confirma o médico do Atlético-MG, Rodrigo Lasmar. Com a vitória por 2 a 1, o time avançou à semifinal da Copa do Brasil, mas a participação do titular teve custo: o departamento médico realizou bloqueios anestésicos para controlar a dor e permitir que o jogador disputasse a partida.
Segundo a equipe do clube, o trauma ocorreu já no jogo de ida, em dividida com Bruno Rodrigues. Exames de imagem — tomografia e ressonância — apontaram fratura. Everson ficou de fora do duelo contra o Vitória, com Gabriel Delfim assumindo a meta, e passou por tratamento intensivo e fisioterapia durante a semana até apresentar melhora suficiente para os bloqueios aplicados em treino, antes do jogo e no intervalo.
O bloqueio anestésico consiste na aplicação de anestésico local ao redor de um nervo para interromper temporariamente a transmissão da dor; em alguns casos, pode-se associar corticoide. A medida permitiu que Everson suportasse a partida, mas não trata a fratura. Médicos e comissão técnica reconheceram que correram um risco calculado pela importância do clássico — uma escolha que expõe a linha tênue entre objetivos esportivos e preservação da saúde do atleta.
Com a classificação garantida, o clube informou que o tratamento da fratura seguirá de forma conservadora e que o jogador será afastado para recuperação. Politicamente, a decisão rende discurso heroico e resultado imediato, mas deixa em evidência a necessidade de planejamento para a proteção do atleta e a estratégia de revezamento no gol nas próximas partidas.