A Fifa saiu em campo para justificar a anulação do gol da Croácia contra Portugal, marcado no último minuto e que selou a eliminação croata. Num comunicado nas redes sociais, a entidade reafirmou que a decisão seguiu o protocolo adotado pela equipe de arbitragem liderada pelo norueguês Espen Eskas, com análise do chefe de VAR Jarred Gillett, e foi sustentada por dados fornecidos pela Connected Ball Technology integrada à Trionda, a bola oficial do torneio.
Segundo a Fifa, os registros mostraram contato de Igor Matanović na construção da jogada, informação que permitiu aos árbitros identificar impedimento e anular o gol. A entidade classificou a tecnologia como um nível de segurança "sem precedentes" para decisões rápidas e precisas, respondendo às críticas e à incompreensão de parte do público sobre o uso do novo recurso.
A Trionda incorpora sensores IMU em uma camada interna — diferente de aparelhos centrais usados anteriormente — desenvolvidos em parceria com a Kinexon. Esses chips capturam movimentos até 500 vezes por segundo e transmitem dados em tempo real ao sistema do VAR. Na transmissão, o toque é ilustrado por um gráfico semelhante a um 'batimento cardíaco', que, na prática, indica o instante exato do contato com precisão milimétrica que as câmeras sozinhas nem sempre alcançam.
O episódio reabre o debate sobre tecnologia no futebol: se, por um lado, reduz margem de erro humano, por outro empurra a decisão para uma caixa preta que o público precisa entender para aceitar resultados. Para a torcida — inclusive a do Atlético — a sensação pode oscilar entre justiça técnica e frieza tecnológica. A lição política para organizadores e federações é clara: a implementação de avanços exige não apenas precisão, mas transparência e comunicação eficiente para preservar a credibilidade do jogo.