Francisco Schertel Ferreira Mendes, filho do ministro do STF Gilmar Mendes, fez nesta terça-feira rodadas de telefonemas a presidentes de federações estaduais na tentativa de amenizar o clima em torno do presidente da CBF, Samir Xaud. A mobilização vem depois de denúncias de relacionamentos extraconjugais e de viagens supostamente custeadas com verba da entidade, que deixaram a situação política da CBF nebulosa.
Segundo dirigentes ouvidos, as ligações tiveram tom de acalmar, mas também serviram para fortalecer laços: qualquer movimentação pela presidência da CBF depende do apoio das federações locais. Há, na leitura dos bastidores, um movimento para tirar Xaud do cargo — mas líderes políticos que acompanham o tema avaliam que provocar uma queda durante a Copa do Mundo seria arriscado e possivelmente contraproducente.
As denúncias públicas aumentaram o desgaste do presidente e abriram espaço para a costura de alternativas entre as chamadas eminências pardas de Brasília, que influenciaram a eleição de Xaud. Interlocutores próximos à articulação afirmam que informações contra o dirigente vinham sendo circuladas, embora neguem vínculo direto entre as denúncias e a família Mendes. O cenário, portanto, mistura pressão política e cálculo de oportunidade.
Nos bastidores há cautela: cartolas evitam confrontos diretos até que o desfecho esportivo e político da Copa seja mais claro. Mesmo assim, a movimentação expõe fragilidade institucional na gestão da CBF e aponta para uma disputa que pode se intensificar nos próximos meses, dependendo do resultado da competição e da habilidade de articulação do grupo que hoje busca alternativas.