A Arena MRV não viveu festa comum: foi uma cerimônia conduzida pela torcida do Atlético-MG, que empurrou o time em momentos-chave e viu um dos seus voltar a assumir papel decisivo dentro de campo. O clássico contra o Cruzeiro terminou 2 a 1, com a virada construída após a expulsão de Villalba e a intervenção direta de Fred, que deu passe para Victor Hugo igualar o placar e, mais tarde, marcou o gol da classificação.

O jogo teve contornos dramáticos desde o início. O goleiro Otávio foi decisivo logo cedo, evitando que Bernard abrisse o placar e garantindo que a partida seguisse viva. O Atlético de Artur Jorge oscilou, mas cresceu à medida que encontrou ressonância com a arquibancada. Do outro lado, o Cruzeiro pareceu superior em fases do jogo, e a lesão de Ruan, seguida pela entrada de Vitão que cometeu pênalti, complicou a narrativa para os donos da casa.

A expulsão de Villalba virou o roteiro: com um homem a mais, o Atlético passou a pressionar de forma mais organizada e incisiva, explorando laterais e infiltrações até que a atuação coletiva encontrou o protagonista. Fred, que retornou da Turquia e não marcava em solo brasileiro desde 2013, foi além do gesto técnico — tornou-se um torcedor em campo, com o passe que igualou e o chute que definiu a classificação. A cena do jogador chutando no ar, um reflexo de quem vibra como na arquibancada, resumiu a noite.

Na leitura imediata, a vitória reforça a dependência do Atlético na energia da sua torcida e na capacidade de jogadores experientes decidirem momentos críticos. Há sinais de vulnerabilidade — o pênalti infantil e a necessidade de recuperar-se após sustos —, mas a capacidade de reação e a presença de nomes como Fred e Otávio transformaram risco em avanço. O Galo segue adiante na Copa do Brasil, com a torcida e os veteranos mantendo o time vivo nas fases decisivas.