Sorrisos na apresentação: Fred desembarcou no Atlético-MG como reforço e, ao mesmo tempo, trouxe de volta a lembrança de uma perda que marcou a base do clube. O caso, recontado por quem comandava a formação na época, ressalta uma fragilidade legal e estrutural: atletas só podiam assinar contrato profissional aos 16 anos, e não havia mecanismo efetivo de proteção aos clubes formadores.

A trajetória do jogador começou nas quadras de Venda Nova, em Belo Horizonte, e ganhou espaço no Atlético ainda jovem. Treinado por Enderson Moreira e companheiro de geração de nomes como Bernard, Fred atuou inicialmente como lateral-esquerdo e mostrou desde cedo atributos técnicos que chamavam atenção da direção de base comandada por André Figueiredo.

Quando se aproximava da idade mínima para vínculo profissional, Fred deixou de aparecer no dia a dia da base. A diretoria tentou negociar: chamou o pai para propor contrato e chegou a acionar o presidente da época. Segundo o relato do ex-diretor, o Internacional agiu diretamente no jogador, articulou passagem por uma equipe ligada a Assis e acabou levando o meia — um movimento que o Atlético, com limitações financeiras e sem amparo legal, não conseguiu barrar ou contrapor.

O retorno de Fred ao clube, celebrado pela torcida, também reacende o debate sobre proteção de clubes formadores e planejamento na base. Para quem acompanhou o episódio de perto, a saída não foi culpa do jogador, mas sim reflexo de uma lacuna institucional que facilitou a perda de um talento produzido internamente.