Ver um ex-Galo colecionar reviravoltas não surpreende tanto a gente: Frickson Erazo, que defendeu o Atlético entre 2016 e 2018, ganhou no ano passado um reality culinário no Equador — mais uma mudança de rumo numa trajetória que passou por clube, política e advocacia.

Antes do Galo, Erazo teve passagem curta pelo Flamengo em 2014, quando enfrentou dificuldades pessoais e culturais. Ele lembra que aprendeu a superar o período turbulento no Rio com a ajuda de companheiros e definiu o clube carioca como uma experiência formativa para a carreira.

Quando cheguei, não foi fácil. Uma situação estranha. Eu não sabia falar português. Não sabia onde iria morar. Para mim, o Flamengo foi uma faculdade. Foi lá que consegui dar a volta por cima.

No Grêmio, o equatoriano viveu um momento mais sólido: foram 42 jogos e dois gols, e ali ganhou confiança para mostrar seu futebol. O convite do Atlético veio em seguida, com a proposta de um projeto ambicioso, que incluía disputa por títulos continentais.

Em Belo Horizonte, Erazo disputou 46 partidas, conquistou o Campeonato Mineiro e foi vice-campeão da Copa do Brasil de 2016 — decisão contra o Grêmio em que acabou expulso. O ex-zagueiro costuma recordar com carinho os colegas e a expectativa que havia em torno do time.

Após encerrar a carreira em 2020, optou por estudar: formou-se em direito, tentou a prefeitura de Esmeralda e chegou a ocupar, por oito meses, o cargo de governador de sua província. Hoje atua como advogado e desenvolve trabalhos ligados ao esporte e a projetos para crianças.

Eu me senti quase sozinho, mas tive o acompanhamento do Léo Moura, do Felipe, goleiro, do André Santos, Elias, Negueba. Amigos que fiz.

Como torcedores do Galo, a gente valoriza ver quem passou pelo clube seguindo adiante. Erazo já foi jogador, político e agora campeão de reality — um currículo que, contra todas as convenções, só aumenta a história que ele deixou em Minas.