O Atlético-MG chega ao jogo de Copa do Brasil contra o Juventude com uma solução prática para uma lacuna clara: a camisa 9. O clube contratou o colombiano Cassierra ainda em janeiro e, na janela de meio de ano, trouxe o uruguaio Thiago Borbas por empréstimo até o fim da temporada. Duas aquisições que têm o objetivo imediato de dar presença de área e amenizar o impacto da saída de Hulk.
A opção por peças vindas do exterior aparece alinhada à diretriz interna: o CEO Pedro Daniel orientou a busca por atletas livres ou por empréstimo, sem gastos significativos. O dirigente Bracks, ao explicar a estratégia, relativizou a questão da nacionalidade e apontou uma escassez de centroavantes brasileiros no mercado doméstico — tendência percebida também em outros grandes clubes da Série A. Trata-se, portanto, de uma combinação entre necessidade tática e condicionamento financeiro.
No desempenho prático, Cassierra teve adaptação gradual: titular mais efetivo a partir de maio, disputou 27 jogos e marcou cinco gols, tornando-se um dos artilheiros do time ao lado de Bernard e Victor Hugo. Borbas chega com perfil distinto — mais veloz e de último toque, menos participativo na criação — e com a missão clara de oferecer variação ofensiva. O uruguaio vive ainda um jejum: seu último gol ocorreu em 13 de julho de 2025, pelo Bragantino, o que reforça a pressão por regularidade imediata.
A opção por reforços estrangeiros resolve um problema urgente, mas tensiona outro objetivo do clube: o aproveitamento das categorias de base. A direção já havia colocado a utilização de jovens como meta para 2026, mas hoje nenhum player da base é titular absoluto. Nomes como Cissé, Pascini, Gabriel Delfim, Cauã Soares e João Teixeira seguem na rotação ou na expectativa. Em termos práticos, a aposta em Cassierra e Borbas representa um caminho pragmático — e de curto prazo — que pode postergar decisões sobre sucessão, aumentar a cobrança sobre o treinador e reduzir a margem de manobra para integrar talentos formados internamente.