A derrota por 2 a 0 para o Cruzeiro, em 11 de setembro, não foi só uma eliminação na Copa do Brasil: serviu de ponto de virada. Naquele confronto o Atlético já vivia conturbação técnica — Cuca havia sido demitido após a derrota de ida, em 27 de agosto — e a chegada de Jorge Sampaoli não alterou o resultado. A comissão técnica mudou de novo em fevereiro, com Eduardo Domínguez assumindo e obtendo respaldo da diretoria e da torcida.

A estabilidade que o novo treinador vem oferecendo é um dos sinais concretos de mudança. Domínguez soma, na temporada, 33 jogos com 15 vitórias, oito empates e dez derrotas; números que dão mais margem de manobra do que o cenário turbulento de há um ano. A equipe aparece mais organizada e sem a pressão imediata que rondava o vestiário na fase da eliminação.

O elenco passou por limpeza significativa: dez jogadores que foram relacionados para a partida de setembro já não vestem a camisa do Galo, entre eles nomes de peso como Júnior Alonso, Guilherme Arana, Gabriel Menino, Fausto Vera e, sobretudo, Hulk — maior algoz do rival, com dez gols em 17 confrontos. A saída de Hulk deixou uma lacuna de referência ofensiva que o time ainda busca preencher.

Há peças remanescentes que mantêm alguma continuidade, como Everson e Lyanco, mas o zagueiro está fora do próximo confronto por conta de uma lesão no pé direito. O argentino Cuello aparece como artilheiro do clube na temporada, com sete gols, mas os centroavantes do elenco ainda não alcançaram o protagonismo deixado por Hulk.

No horizonte próximo há motivos para otimismo moderado: o time se classificou na Sul-Americana, corre por uma vaga no G-5 do Brasileirão e ganhou o reforço do meio-campista Fred, projetado como opção para renovar o meio-campo. Resta ao Atlético transformar essa reorganização em consistência diante do Cruzeiro — e provar que a mudança de rota foi mais do que cosmeticidade.