O Galo jogou com gosto e propósito. A atuação contra o Montevideo City Torque — 3 a 0 que respeitou o mando — deixou um desenho claro nas vistas: não é só um resultado, é um time com identidade. O torcedor já vinha pedindo mudanças de posicionamento; Barba Domínguez respondeu com um Atlético mais vertical, paciente e perigoso nas transições.
O 4-2-3-1 foi mantido, mas a engrenagem mudou. Preciado na lateral-direita abriu o leque: Maicon e Castanho passaram a ter condições de virar o jogo, Cuello virou ameaça em um contra um na beirada, Bernard buscou infiltração por dentro e Reinier ganhou espaço para jogar como um 9 que também cria. Lodi assumiu a função de ponta pela esquerda. Em determinadas ações, com Alan Franco surpreendendo ao pisar à frente da linha de volantes, o time virou superioridade numérica na frente. Dois dos gols nasceram em transições rápidas; o terceiro veio de um ataque posicional. O padrão se repetiu em jogadas que acabaram anuladas por impedimento, o que confirma a intenção e o repertório.
Sem a bola, o Atlético compactou em 4-1-4-1, com Maicon protegendo a entrelinha e o time preparado para interceptar e acelerar a saída. O primeiro e o segundo gols vieram de erros do Torque transformados em velocidade: recuperação, passes curtos e finalização. Outro ponto positivo foi o banco: Igor Gomes, Borbas e Cissé entraram com presença e o gol de Borbas deu margem para poupar peças na volta da Sul-Americana — sinal importante de profundidade em um calendário exigente.
O balanço político dentro do clube é óbvio: o Galo consegue disputar Brasileirão, Copa do Brasil e Sul-Americana sem perder a identidade, desde que mantenha o ataque posicional como referência e as transições como arma. O risco real é o calendário e o desgaste físico, mas o que se viu no Uruguai é um time com desenho, ideia e repertório. A volta é só o primeiro passo — e a Massa pode, com razão, começar a sonhar com taça, desde que a sequência confirme o que foi mostrado em campo.