O Atlético-MG reescreveu a trajetória do seu Sub-20 em menos de um ano. Depois do rebaixamento da categoria em julho de 2025, a diretoria refez prioridades: operação de captação, integração com o time profissional e aporte em estrutura. O resultado imediato veio com o acesso à elite do Brasileiro Sub-20 — meta explícita da temporada — e abriu espaço para avaliação sobre o aproveitamento dos talentos.

A reformulação teve três frentes claras. Primeiro, investimento na captação, com atenção redobrada a jovens locais e prospecção na África — o volante Cissé foi o exemplo mais citado. Segundo, aplicação de R$ 10 milhões na construção de um novo prédio no CT, que reunirá departamento médico, nutrição, fisiologia e áreas técnicas de forma integrada. Terceiro, mudança no planejamento: a base passou a ter interlocução constante com a cúpula do futebol, liderada por Paulo Bracks, e atletas como Vitão e Pedro Cobra já treinam com o profissional.

No campo, os números mostram recuperação: após a campanha fraca que culminou com 14 pontos em 19 jogos no ano do rebaixamento, o Sub-20 manteve foco no retorno. Fez 13 pontos em sete jogos na primeira fase, venceu o Coritiba por 1 a 0 nas quartas e, mesmo perdendo por 1 a 0 para o Ceará na semifinal, garantiu o acesso por ser o eliminado de melhor campanha geral. Jogadores como Pascini, Índio e Cauã Soares também foram aproveitados nos trabalhos com o elenco principal.

A conquista funciona como prova de conceito do projeto, mas não apaga a próxima exigência: converter investimento e visibilidade em convocações consistentes para o time profissional. Por ora, não há definição sobre promoções durante a temporada. A diretoria ganhou argumentos para seguir com a estratégia de formação, mas precisa agora transformar promessas em soluções reais para o elenco — e o relógio de cobrança trabalha a favor da urgência.