O Galo sofreu, não jogou bem, mas cumpriu o objetivo: avançou à final da Copa Sul-Americana. Mesmo derrotado por 2 a 0 em Montevidéu, o time preservou a vantagem construída no Mineirão (3 a 0) e carimbou a vaga no agregado. A classificação, porém, veio acompanhada de sinais de alerta que o torcedor tem o direito de cobrar.

No centro da noite, Gabriel Delfim apareceu como herói. Fez duas defesas impressionantes no primeiro tempo e evitou um desastre maior, apesar de um erro com a bola nos pés em momento posterior. A atuação confirma a boa fase do goleiro, que hoje se coloca entre os melhores do país, e foi determinante para segurar a soma favorável.

O setor defensivo, porém, deu mostras de desgaste. O time se fechou, passou aperto nos minutos finais e viu Lyanco cair de rendimento justamente quando o jogo pedia firmeza: o zagueiro foi envolvido nos dois gols do Torque. Além disso, um lateral recebeu dois cartões amarelos evitáveis e está fora da decisão — perda que obriga o treinador a reorganizar o lado defensivo.

Do meio para frente faltou consistência e controle de posse. Houve erros técnicos e pouca participação com a bola nos pés; o setor ofensivo teve uma chance clara que bateu na trave, mas o jogo mostrou dificuldades em articular transições e criar volume. As substituições visaram proteger o resultado, mas também evidenciaram limitações do elenco para mudar o panorama quando pressionado.

No fim, a classificação vale e mantém o Galo em disputa por título continental. Mas a passagem à final não apaga a necessidade de ajustes: a equipe precisa recuperar regularidade defensiva e intensidade ofensiva se quiser transformar a vaga em taça. A Massa merece confiança, mas também respostas — e o time tem pouco tempo para dar essas respostas.