O empate por 0 a 0 com o Juventude, na Arena MRV, deixou claro que o Atlético voltou a esbarrar em dificuldades que pareciam superadas. Depois da grande vitória sobre o Palmeiras, a equipe de Eduardo Domínguez teve uma atuação apagada: controle de posse, mas pouca objetividade. Sem Tomás Cuello em condições de atuar o jogo inteiro, o treinador apostou em Dudu como titular, deslocado pelo corredor direito, e manteve a linha de três defensores com Natanael, Ruan Tressoldi e Lyanco.

A organização tática deu alguma sustentação, mas faltou criatividade na construção. Maycon e Pérez ficaram presos no trabalho de aproximação e o time passou a recorrer com frequência a cruzamentos e finalizações de média distância, soluções com baixo índice de efetividade diante da marcação cerrada do Juventude. Cassierra, referência no ataque, foi pouco acionado e quase não conseguiu influir nas jogadas ofensivas, o que expôs ausência de um protagonista capaz de decidir no momento chave.

Além do problema ofensivo, o Galo sofreu com as transições rápidas do adversário. O Juventude, sempre que recuperava a bola, explorou a profundidade e chegou a acertar o travessão numa das melhores chances da partida, assustando a torcida. No segundo tempo, a equipe gaúcha cresceu em confiança e pressionou mais, enquanto o Atlético não encontrou respostas consistentes para retomar a iniciativa e transformar superioridade territorial em oportunidades reais de gol.

O resultado obriga o Atlético a buscar a classificação fora de casa, em Caxias do Sul, cenário em que a equipe terá que ajustar criação, velocidade nas trocas de passe e definir melhor quem será o protagonista do ataque. A sequência coloca pressão sobre Domínguez para encontrar alternativas — e sobre jogadores ofensivos para elevar a produção — sob o olhar crítico de uma torcida que encheu a Arena MRV e esperava vantagem clara nas oitavas.