O cenário mais parece cena de recuperação do que palco de retorno: um vestiário pouco iluminado, uniformes empilhados num saco e jogadores que chegaram caminhando. Entre eles, o nome que já foi presença constante em estádios e capas de revistas: Geuvânio, 34 anos, agora no Votoraty, clube que voltou ao futebol oficial na quinta divisão do Campeonato Paulista.
Revelado no Santos e com passagens por Flamengo, Atlético-MG e China, o atacante viu a carreira derreter por uma sequência de lesões musculares. Foram apenas sete jogos nos últimos quatro anos. Em 2024 ficou afastado do futebol profissional e, depois de tentativas frustradas de retorno, acabou nos amadores até receber a proposta de Votorantim.
Mais do que o corpo, o maior adversário que ele enfrenta é interno: a depressão. Geuvânio relata perda de motivação, sensação de abandono quando deixou de render e a necessidade de buscar ajuda psicológica. Não escondeu a vontade de não terminar a carreira daquela forma e a necessidade de ser tratado como pessoa, não só como peça em um elenco.
O caso expõe uma realidade recorrente no futebol brasileiro: jogadores que despontam, recebem grandes transferências e depois, diante das limitações físicas, ficam sem a rede de apoio necessária. Para Geuvânio, a volta tem caráter menos esportivo e mais humano — encerrar com dignidade, perto da família, e provar que ainda há respeito a ser restaurado.