A sequência é difícil de justificar sem desconforto: Hulk foi ao estádio, integrou o vestiário, apareceu na relação como reserva e, instantes antes do início do jogo, teve sua participação retirada e voltou para casa. O Atlético informou que a decisão foi tomada em comum acordo por conta de uma proposta e do risco de ultrapassar o limite de 12 partidas no campeonato.
O episódio, além de embaraçoso, deixa no ar uma imagem de indecisão. Se havia negociações em curso, por que o atacante foi mantido no entorno da partida? Se a ideia era resguardar opções, por que não houve anúncio claro antes? A situação lembrou o desgaste acumulado entre Hulk, seus representantes e a diretoria, iniciado já no começo do ano, quando o jogador manifestou insatisfação com proposta de renovação e tentou saída.
No campo, a resposta foi contundente: 4 a 0 do Flamengo em casa. O resultado expôs deficiências táticas e coletivas que vêm se repetindo — o Atlético é um dos times com mais derrotas no Brasileirão e soma três reveses seguidos. O trabalho de Eduardo Domínguez não se traduz em consistência na partida, e relatos de afastamento entre vestiário e gabinetes só ampliam a sensação de desarticulação.
Mais do que a provável despedida de um ídolo, o episódio simboliza um problema maior: a transição para o modelo SAF ainda não mostrou ganhos claros desde julho de 2023 e acumula sinais de desgaste. A saída constrangedora de Hulk aumenta a pressão sobre diretoria e comissão técnica e exige, com urgência, definição de rumos para recuperar confiança da torcida e estabilidade dentro do clube.