Nos bastidores do Atlético-MG, conversas sobre a renovação de Hulk — com contrato atual até dezembro e rascunhos de valores para estender o vínculo até 2027 — deram lugar a um novo capítulo de desgaste. A diretoria voltou a ensaiar o tema da aposentadoria e de homenagens, pauta que já havia criado atrito no começo do ano com documentário e ações comemorativas.
O ponto de ruptura veio momentos antes do clássico com o Flamengo: Hulk foi retirado da relação e, surpreendido com a nota oficial do clube sobre a existência de uma sondagem e a possibilidade de transferência nesta janela, deixou o estádio antes do jogo. O atacante já havia sinalizado, na entrevista após a vitória sobre o Ceará, que seu ciclo no Galo poderia terminar em julho.
No mesmo fim de semana, o Fluminense retomou contatos — tentativa registrada anteriormente em janeiro — e as conversas entre clubes se intensificaram. O Atlético, que inicialmente resistiu, acabou aceitando negociar. A decisão de não relacionar Hulk para evitar que ele jogasse e ficasse impedido de defender outra equipe (ele já tem 12 jogos na Série A) mostra que o clube pensou na operação em andamento.
O episódio expõe uma diretoria que perde controle do calendário e das comunicações internas. Pedidos como o do técnico Eduardo Domínguez para que Hulk informasse os companheiros não impediram o desconforto público; a divulgação da nota, tida pelo jogador como quase um anúncio de sua saída, agravou a percepção de falta de coordenação. A torcida reagiu com irritação, num momento em que o time também convive com desempenho irregular.
Além do impacto imediato na relação com o camisa 7, a situação traz custos políticos e esportivos para o Atlético: tensão no vestiário, desgaste da imagem do clube e pressão por respostas da diretoria. O caso segue em aberto, com janela de transferências ativa; o desfecho deve dizer muito sobre a capacidade do clube de conter a crise e sobre a montagem do elenco para a sequência da temporada.