A chegada de Hulk ao Atlético-MG, em 29 de janeiro de 2021, começou sob descrédito: torcida e crítica recearam mais uma aposta de impacto duvidoso. O que veio a seguir foi uma conjugação rara entre jogador, ambiente e projeto técnico — o clássico “encontro perfeito”. O Galo, que vinha de recuos e eliminações em 2020, recalculou rota e precisou dessa fagulha para retomar ambição nacional.
O início foi conturbado: o atacante chegou sem sequência e, publicamente, cobrou mais espaço do técnico Cuca. A resposta veio rápida nos números e no rendimento: depois do atrito, Hulk marcou cinco gols em três jogos e consolidou a titularidade. No balanço da temporada, foram 36 gols e 13 assistências em 68 partidas; 19 gols no Brasileiro que lhe garantiram a artilharia e o prêmio de melhor jogador do campeonato.
Os títulos confirmaram a mudança de patamar. Em 2021 o Atlético liderou o Brasileiro por longo período e encerrou um jejum de meio século ao ser campeão; na Copa do Brasil, foi dominante e conquistou o bicampeonato com vitórias firmes, inclusive o 4 a 0 na ida da final contra o Athletico‑PR. A Libertadores, porém, expôs a face ainda incompleta do projeto: a eliminação nas semifinais, diante do Palmeiras, mostrou que o salto doméstico não bastou para a glória continental.
O legado de Hulk para o Galo é inegável: troféus, identidade e maior projeção do clube no país. Mas a transformação também traz questões práticas — aumento de expectativas, pressão por planejamento e risco de dependência em torno de uma peça decisiva. Se 2021 foi a prova de que o Atlético pode brigar no topo, os próximos passos exigem estrutura e decisões que evitem retrocessos quando a estrela do momento não for suficiente.