No Dia do Trabalhador, o Atlético-MG tem entre seus rostos mais antigos o de João Lúcio Lourenço: contratado em outubro de 1979, ele chega a quase 47 anos de serviço. Aos 65 anos, trabalha como pintor na Cidade do Galo e simboliza uma ligação direta entre gerações de profissionais que mantêm o clube em funcionamento.
A presença de funcionários com trajetórias tão longas costuma passar despercebida pelo grande público, mas é peça-chave na rotina de qualquer clube. Quem cuida da manutenção, da operação e dos detalhes do dia a dia carrega conhecimento prático que não consta em planilhas — e que ajuda a preservar infraestrutura e entregar condições ao elenco e às categorias de base.
O levantamento feito pelo ge, que listou funcionários mais antigos dos 20 clubes da Série A, também trouxe um alerta: alguns clubes têm dificuldades de registro após mudanças administrativas — caso do Vasco, que não informou o nome solicitado. A transição de modelos de gestão e a profissionalização podem representar risco à memória institucional e à trajetória desses trabalhadores se não houver políticas claras de proteção e reconhecimento.
Mais do que homenagens pontuais, a permanência de nomes como o de João Lúcio deveria orientar práticas: valorização salarial, registros consistentes e reconhecimento público que acompanhe a modernização dos clubes. Em tempos de transformação, lembrar que o futebol se sustenta também em trabalho cotidiano é questão de respeito e de bom senso administrativo.