Quando os times entram em campo, o espetáculo traz alegria para muitos — mas também um padrão preocupante para mulheres. Um estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em São Paulo, cruzou registros de 2023 a 2025 em cinco capitais e encontrou aumento de 27,4% nas denúncias de ameaça em dias de partidas, e elevação de 28,8% nos registros de violência doméstica nesses mesmos dias.
O impacto é mais agudo entre jovens: mulheres de 15 a 29 anos registraram alta de 44,4% em ameaças e em lesões corporais nos dias de jogo. O levantamento também traz recorte racial: entre mulheres negras houve crescimento de 23,2% nas lesões e 14,6% nas ameaças; entre mulheres brancas, os aumentos foram de 30,9% e 36,2%, respectivamente.
A comparação com o estudo anterior do Fórum (2015–2018) revela piora: as ameaças, que subiam 23,7% em dias de jogo naquela janela, agora avançaram mais 3,7 pontos; as lesões físicas, que cresciam 20,8%, avançaram mais 8,1 pontos. O dado indica não apenas sazonalidade ligada ao calendário, mas uma tendência de agravamento que exige diagnóstico e ação.
Clubes, organizadores e autoridades têm capacidade de influenciar comportamentos e não podem se limitar ao discurso. Medidas de prevenção, campanhas dirigidas às torcidas, coordenação com segurança pública e protocolos de atendimento às vítimas são respostas mínimas. Sem respostas estruturadas, o futebol corre o risco de perpetuar espaços de risco para mulheres, com custos sociais e reputacionais concretos para instituições esportivas.