O susto em 2023 quase interrompeu a carreira de Karen Cristina. Um teste esteira apontou uma ponte miocárdica — uma artéria que passa pelo músculo cardíaco — e ela acabou afastada e dispensada pelo clube onde atuava. A zagueira, hoje no Atlético-MG, precisou buscar alternativas para manter a vida profissional.
A compressão da artéria nem sempre causa problemas, mas pode provocar dor, arritmias ou, em casos extremos, infarto. Diante do diagnóstico inicial, Karen relata que recebeu orientação médica para não voltar aos gramados, e, sem respaldo institucional para uma segunda opinião, recorreu à família e a colegas do futebol em busca de solução.
Foi a rede de apoio que abriu portas. A atacante Soraya intermediou contato com a cardiologista Andreza; a avó bancou consultas; e jogadoras como Bruna Calderan e Duda Santos ajudaram com exames. Com a investigação particular, os novos testes não mostraram alterações incompatíveis com a prática esportiva e vieram as liberações médicas.
O retorno ao futebol ocorreu com acompanhamento: rotina de exames no clube e monitoramento diário da comissão técnica. Karen ainda se recuperou de uma lesão no ligamento colateral medial do joelho direito, ficou nos últimos meses no departamento médico e agora está à disposição da técnica Fabi Guedes.
Mais do que um caso individual, a trajetória de Karen expõe uma realidade do futebol feminino: a importância do suporte informal quando faltam respostas rápidas de clubes e estruturas. A zagueira segue confiante e procurou transformar um alerta de saúde em combustível para voltar a jogar em alto nível.