O Atlético anunciou a contratação do colombiano Kevin Castaño, 25, como terceiro reforço da temporada em uma tentativa clara de preencher a carência histórica na posição de primeiro volante. Nos últimos anos o clube não encontrou um dono fixo para a função: Tomás Pérez e Alan Franco têm sido opções, enquanto jogadores como Maycon, Cissé e Alexsander foram testados sem sucesso em dar consistência ao setor.

Castaño se apresenta com características distintas das opções atualmente no elenco. Sua leitura de jogo e envolvimento na saída de bola são pontos de destaque: ele se posiciona para oferecer linhas de passe aos zagueiros, busca passes progressivos e tem capacidade de inverter o jogo com lançamentos longos — recursos úteis contra defesas compactas. Não é um volante que atua constantemente na área adversária; sua contribuição tende a ser mais de construção do que de chegada ao gol.

No aspecto defensivo, o colombiano aposta mais em antecipação, posicionamento e interceptações do que em confrontos físicos diretos. Isso pode equilibrar um meio-campo que reclama por qualidade de passe e organização, mas abre uma questão prática: o futebol brasileiro exige ritmo e contato físico intenso. Castaño vinha perdendo espaço no River Plate após a chegada de Eduardo Coudet, embora o clube gaúcho o tivesse contratado por cerca de R$ 70 milhões em 2025 e ele tenha sido observado pela seleção colombiana, inclusive com convocação para a Copa do Mundo.

A eficácia da contratação depende de dois pontos concretos: adaptação rápida ao estilo do Brasileiro e, sobretudo, sequência de jogos sob Eduardo Domínguez. Se ganhar confiança e ritmo, pode oferecer a saída e a verticalidade que faltam ao Atlético; se oscilar, a diretoria terá mais uma justificativa para a cobrança sobre a falha em consolidar um primeiro volante titular. A aposta é técnica, mas só se prova com continuidade.