O quadro Fato ou Fake, do Gato Mestre em parceria com o Tropa ge tv, põe números sobre uma crença enraizada: a chamada "Lei do Ex". Entre 790 reencontros na Série A desde o ano passado, o fenômeno só se confirmou em 58 ocasiões — 7,34% dos casos — o que desmonta a ideia de que há uma regra quase sobrenatural em jogo. Na maior parte das partidas, a expectativa do torcedor é mais psicológica do que estatisticamente fundada.

O levantamento detalha também perfis de jogadores que mais reencontraram ex-clubes: os volantes Jadson e Gabriel tiveram dez duelos cada, mas apenas o segundo marcou uma vez; o atacante Marinho disputou nove reencontros e não converteu em nenhum. Há exceções pontuais: o lateral Reinaldo, do Mirassol, foi efetivo ao marcar cinco gols em seis partidas contra ex-equipes, um caso de performance individual que sustenta a narrativa, não a norma.

A 'Lei do Ex' se confirmou em apenas 7,34% dos 790 reencontros analisados, mostrando que o fenômeno é exceção, não regra.

No mesmo pacote de estatística, o programa investigou a alegada fragilidade do goleiro Carlos Miguel em chutes rasteiros. Desde que chegou ao Palmeiras foram 30 jogos e 22 gols sofridos; 16 desses foram em bolas por baixo — uma taxa de 73%. Para comparar, dos 959 gols do último Brasileirão, 516 foram rasteiros, média de 54%. Em outras palavras, Carlos Miguel leva 19 pontos percentuais a mais em gols por baixo do que a média da elite.

O resultado é objetivo e tem implicações práticas: a crítica da torcida não é só implicância — os números justificam atenção técnica. Treinamentos de posicionamento, leitura de trajetórias e trabalho específico em defesas rasteiras passam a ser cobrança legítima sobre comissão técnica e preparação física. Para dirigentes, a estatística também vira elemento de avaliação em decisões que envolvem plano de carreira, reforços ou alternativas para a posição.

O refrão que fica é duplo: a Lei do Ex, no geral, é mais mito do que regra; mas a vulnerabilidade de um goleiro não se dissolve em folclore. Quando os dados apontam desvio tão claro da média, a resposta precisa ser técnica e imediata — não apenas resmungos nas redes sociais.

Carlos Miguel sofreu 73% de seus gols em bolas rasteiras, bem acima da média de 54% observada no Brasileirão.