A chegada de Mamady Cissé ao Atlético-MG, em 8 de maio de 2025, teve a marca do cuidado metódico. Aos 18 anos, vindo da Guiné, o meia desembarcou em Confins tímido, sem falar português e com apenas uma bagagem de mão após cerca de 36 horas de viagem. O clube não deixou a estreia ao acaso: combinou recepção no aeroporto e acionou um tradutor de francês que viria a ser peça central na adaptação do jovem.

Benjamin Lelaidier acompanhou Cissé diariamente durante aproximadamente seis meses. Mais do que interpretar frases, ele atuou como ponte para a rotina prática: levou o jogador aos primeiros treinos, traduziu orientações técnicas à beira do campo, deu aulas de português e ajudou em tarefas simples — comprar um tablet, abrir conta bancária, entender procedimentos da base. A proximidade foi tanta que o tradutor e o atleta criaram laços afetivos que facilitaram a integração.

A adaptação também passou pelo convívio com colegas do sub-20. Pedrinho, de 19 anos, foi quem mais se aproximou: levou Cissé para conhecer a cidade — shopping, Lagoa da Pampulha, barbearia — e o convidou para a casa da família, onde a aproximação ganhou até uma feijoada. Pequenos gestos fora do campo tiveram papel direto na consolidação do bem-estar do atleta e na velocidade com que ele assimilou vida e treinos em Minas.

Nos bastidores, áreas como assistência social, comandada por Neila Bittencourt, e o Player Care, sob responsabilidade de Mateus Salomão, coordenaram o processo. Essa estrutura, hoje crescente no futebol brasileiro, atua desde moradia até escolaridade de familiares e foi acionada nas transições entre base e profissional. Reuniões para mapear rotina e necessidades ajudaram a criar continuidade quando Cissé subiu ao elenco principal.

O resultado é palpável: em menos de um ano o clube viu o jovem renovar contrato, ganhar espaço no profissional, instalar-se em Minas e já falar algumas palavras em português. A história de Cissé reforça duas evidências para o Atlético: investimento em acolhimento acelera retorno esportivo; e a formação de jogadores estrangeiros exige logística e custos que, quando bem geridos, viram vantagem competitiva para clubes com estrutura.