Ver um cria do Galo se firmar lá fora sempre aquece o coração da Massa — e Matheus Mendes tem motivos para ser comemorado. Titular nas sete partidas do Alverca na Liga Portugal, o goleiro acumulou 630 minutos e figura com números que chamam atenção: 23 defesas e 13 intervenções em finalizações dentro da área, além de liderar a competição em saídas do gol bem-sucedidas, com dez.

Os índices reforçam a importância do arqueiro no início de temporada: média de 3,3 defesas por partida e 68% de aproveitamento nas intervenções. Ainda aparecem 7,1 bolas recuperadas e 1,4 cortes por jogo, sinais de participação ativa além da linha do gol. Entre os brasileiros na posição, Mendes aparece no topo ou perto dele em vários rankings, inclusive como segundo em número de socos (quatro).

Formado nas categorias de base do Atlético, Mendes teve oportunidades limitadas no profissional — apenas 19 jogos — em parte pela concorrência com Everson. Buscou minutos por empréstimo no CSA e, sobretudo, no América, onde disputou 28 partidas antes da transferência definitiva para Portugal. Hoje, o tempo de jogo no Alverca lhe dá consistência e visibilidade que faltaram na transição pelo Galo.

Do ponto de vista do torcedor, o desempenho em Lisboa provoca reflexão: o crescimento de Mendes aponta que o Atlético precisa calibrar caminhos para aproveitamento e valorização de talentos da base. Sem transformar aplaudir numa crítica vazia, é legítimo dizer que a trajetória do goleiro mostra tanto acerto na formação quanto espaço para melhorar na gestão de carreiras. Para o jogador, a consequência é óbvia: ganhar ritmo e mercado; para o clube, um lembrete sobre oportunidades perdidas.

No fim, a sensação é de orgulho e cobrança: a gente vibra com o sucesso do Matheus e quer ver mais crias do Galo tendo espaço para evoluir e voltar melhores — ou serem negociadas com preço justo. Enquanto isso, ele segue trabalhando no Alverca e transformando em números a chance que recebeu.