No 118º aniversário do Atlético-MG, a festa na Arena MRV teve brilho e fumaça com queima de fogos, mas o cerne do discurso do principal acionista do SAF foi técnico e estratégico: a formação de jogadores. Rubens Menin usou a data para projetar um caminho que mistura investimento em folha curta e ambição de longo prazo, ressaltando que a base deve ser tratada como pilar, não apenas como fonte eventual de lucro. A celebração serviu para marcar um momento de reafirmação de prioridades, em que identidade esportiva e sustentabilidade financeira aparecem em estrito diálogo.

Em entrevista à rádio local, Menin afirmou que ampliou recursos para as categorias de base e que já se observa retorno com a ascensão de garotos ao time principal. Ele citou nomes que ilustram o padrão desejado de aproveitamento e pediu — com calma pragmática — que o clube abra espaço no elenco para esses atletas. Essa combinação de investimento e exigência interna é coerente com a lógica de formar talentos para reforçar competitividade, ao mesmo tempo em que reduz dependência exclusiva do mercado de transferências.

Menin afirmou que ampliou os investimentos na base e que já se vê resultado com a ascensão de jovens ao profissional.

O empresário enumerou três pilares que orientam a gestão: consolidar a base entre as melhores do país, melhorar o perfil da dívida e, por fim, entregar um time de futebol competitivo. Essa ordem traz uma leitura clara: formação perene, controle financeiro e resultado imediato. Mas há um nó prático nessa hierarquia. Abrir espaço para jovens implica risco esportivo no curto prazo — com possibilidade de oscilações de rendimento — enquanto a redução do passivo financeiro exige disciplina que, muitas vezes, conflita com investimentos pontuais em reforços prontos.

O alerta mais direto feito por Menin foi para a pressão externa do mercado europeu: sem rodagem no profissional, talentos formados correm o risco de migrar para clubes do exterior atraídos por projeto e salário. Essa dinâmica não é novidade no futebol brasileiro, mas ganha contornos distintos no contexto de um SAF: vender passa a ser ferramenta de equilíbrio patrimonial e financeiro, porém pode transformar o clube em fornecedor permanente de negócios alheios. Trata-se de um dilema clássico entre monetizar ativo esportivo e consolidar time competitivo que represente a própria torcida.

Do ponto de vista administrativo, a responsabilidade recai sobre quem decide o porquê e o quando liberar espaço para a base. Como principal acionista, Menin tem legitimidade para definir rumos, mas a transição exige coordenação entre treinador, diretoria de futebol e observatório de base. A implementação prática envolve políticas claras de contratos, metas de aproveitamento e cláusulas que preservem o clube em eventuais vendas. Sem essas estruturas, o discurso de prioridade pela base corre o risco de se limitar a boas intenções comunicadas em datas simbólicas.

Ele destacou três prioridades: consolidar a base entre as melhores, melhorar o perfil da dívida e montar um time competitivo.

As consequências políticas e sociais desse projeto também merecem leitura: o fortalecimento da base pode ampliar a identificação local e reduzir a necessidade de contratações onerosas, beneficiando a saúde financeira. Por outro lado, pressões por resultados imediatos por parte da torcida e a mídia podem forçar decisões que privilegiem a reação rápida no mercado em detrimento do desenvolvimento interno. Existe ainda um efeito social tangível — investir em categorias de base tem impacto em oportunidades para jovens da região e na formação de uma cultura esportiva mais robusta — que, se bem articulado, reforça legitimidade institucional.

A mensagem deixada no aniversário tem clareza política: o Atlético-MG pretende equilibrar ambição e responsabilidade, mas o caminho será sinuoso. Para que a aposta na base se traduza em vantagem competitiva real, é preciso um plano operacional que combine escalação progressiva, contratos inteligentes e política de vendas que não desmonte projetos esportivos. Abrir espaço não é gesto simbólico — é decisão técnica com efeitos imediatos no desempenho e de longo prazo na saúde financeira do clube. O desafio agora é converter promessa em prática, transformando fogos de artifício em legado sustentável.