A gente sente no peito: o dinheiro chegou de forma decisiva ao Galo. Rubens Menin e os parceiros que lideraram a compra da SAF do Atlético-MG passaram a ser protagonistas do clube — com participação de 41,8% e parte de um grupo que, em 2023, comprou 75% da operação por cerca de R$ 913 milhões. Para o torcedor, o efeito é claro: mais capacidade de investimento e um alívio imediato sobre dívidas históricas.

Mas não é só carinho no bolso. A transferência de gestão e de risco para investidores privados altera o jogo institucional do clube. Os aportes prometidos — Menin e seu grupo citaram um novo ciclo de recursos, com previsão de injeções expressivas para quitar pendências — vêm acompanhados de expectativa por resultados e por retorno financeiro. A conta que antes era do sócio e do conselheiro passa a ser também do acionista majoritário; transparência e resultados viram moeda de troca.

O movimento do Galo é parte de uma tendência nacional: Pedro Lourenço, por exemplo, assumiu 90% da SAF do Cruzeiro por cerca de R$ 600 milhões, parte convertida de dívidas e parte parcelada ao longo de uma década, e já há gasto pesado em reforços e folha salarial. Marcos Lamacchia aparece próximo da compra da SAF do Vasco. Uma pesquisa recente aponta que 45,1% dos torcedores aprovam as SAFs, embora haja rejeição mais forte em torcidas como a do Flamengo. O quadro mostra concentração de poder econômico nas mãos de poucos investidores.

Para a Massa, isso traz promessa e cobrança. Promessa de competitividade e organização financeira; cobrança por planejamento de longo prazo, responsabilidade na gestão e respeito à história do clube. O Galo ganhou capital — e agora precisa garantir que as decisões tomadas por quem aporta preservem autonomia esportiva, sustentabilidade e, acima de tudo, respeito ao torcedor. A depender do próximo capítulo, a gente pode comemorar investimentos ou passar a cobrar resultados e prestação de contas.