Os primeiros confrontos das oitavas de final da Copa do Brasil 2026 deixaram claro um problema que vem se consolidando: o futebol brasileiro patina entre cautela extrema e queda de rendimento. Quatro partidas terminaram sem gols, apenas três clubes — Palmeiras, Internacional e Athletico-PR — saíram com vantagem clara, e o restante adiou a definição para o segundo jogo. Para quem busca espetáculo e postura ofensiva, o saldo é decepcionante.
Há motivos que explicam parte do fenômeno: jogadores retornando de férias pós-Copa do Mundo, atletas desgastados ou em processo de recuperação, como Paquetá, e lesões que surgiram em convocações internacionais, caso de Gustavo Gómez. Com reservas de inferior qualidade em muitos elencos, os treinadores optam por escalações que visam segurança física e resultado imediato, sacrificando coesão tática e identidade de jogo.
O exagero defensivo virou padrão. Contra-ataques e jogos truncados dominam, e clubes que teriam condições de desenvolver futebol mais elaborado preferem a retaguarda fechada. Isso não só empobrece o espetáculo como aumenta a probabilidade de decisões nos pênaltis — um risco competitivo e comercial para clubes, televisão e torcida. Mirassol 1 x 1 Grêmio e os quatro 0 a 0 são retratos dessa perda de ambição.
Para o Atlético-MG — referência entre grandes do país — a lição é prática: manter ambição e identidade será diferencial nas fases decisivas. Se a tendência for a cautela generalizada, times com estrutura e elenco consistentes terão espaço para se destacar, mas também a responsabilidade de forçar partidas mais abertas. O futebol brasileiro precisa reaprender a conciliar proteção física com proposta de jogo, sob pena de transformar mata-mata em torneio de empates.