Em entrevista à ESPN, Anderson Barros, diretor de futebol do Palmeiras, confirmou que o clube tinha ciência do histórico de fratura por estresse na tíbia do atacante Paulinho ao fechar a contratação. O comentário reacende o debate sobre como foram avaliados os riscos médicos e a divisão de responsabilidades entre os clubes no negócio que envolveu 18 milhões de euros e a troca por dois atletas.
Segundo Barros, o Verdão acompanhou o dia a dia do atleta desde a chegada em dezembro e realizou todos os exames antes de consumar a transferência. Paulinho já havia passado por uma primeira cirurgia em dezembro de 2024 e só teve a operação de correção definida após o desempenho no Mundial de Clubes, quando o clube entendeu ser o momento apropriado para o procedimento.
Havia um risco por causa da cirurgia anterior; acompanhamos o atleta de perto e fizemos todos os exames antes de assinar.
No aspecto prático, a escolha do Palmeiras de adiar a correção até julho de 2025 — após a partida contra o Chelsea, que seria a última atuação do atacante pelo clube — mostra uma gestão de risco que priorizou a utilização do jogador em competição internacional. O dirigente afirmou que, ao identificar dificuldade em fevereiro e março, o clube traçou um planejamento até a intervenção.
Para o Atlético-MG, a transferência representou troca de ativos por caixa e jogadores, com Paulinho deixando o Galo após 120 jogos, 50 gols e 12 assistências. Do ponto de vista esportivo, trata-se de uma perda significativa; do ponto de vista financeiro, uma operação avaliada em cifra expressiva que agora tem o complemento da narrativa pública do comprador sobre assumir a responsabilidade pela sequência clínica.
A declaração de Barros tende a encerrar questionamentos sobre eventual falha do Atlético-MG na transação, ao deslocar a responsabilidade para o clube comprador, mas também levanta uma discussão mais ampla sobre transparência médica em negociações de alto custo. Para o torcedor do Galo, fica o balanço entre a relevância da venda e o vazio deixado pelo seu artilheiro.
Decidimos esticar até o Mundial e só então realizar a correção porque entendíamos o momento certo para a operação.