O Palmeiras reconheceu publicamente que “sabia do risco” ao contratar Paulinho, atacante que já carregava uma fratura por estresse na tíbia desde 2024, quando ainda defendia o Atlético-MG. Em entrevista à ESPN, o diretor de futebol Anderson Barros afirmou que o clube realizou todos os exames e entendeu que a responsabilidade médica e esportiva passava para a nova agremiação.

Segundo Barros, o jogador chegou ao Palmeiras em dezembro e já havia sido submetido a uma primeira cirurgia naquele mês. A manutenção no elenco até a disputa do Mundial de Clubes, cuja última partida de Paulinho pelo clube foi em 4 de julho de 2025, foi parte do planejamento: a diretoria avaliou o comportamento do atleta e decidiu que a correção seria feita em momento oportuno, definido após a competição.

O clube reconhece que havia risco e afirma ter realizado todos os exames antes da contratação.

A transferência custou 18 milhões de euros ao Palmeiras — cerca de R$ 115 milhões na cotação da época — e envolveu ainda as saídas dos volantes Gabriel Menino e Patrick como parte do negócio. Em números, Paulinho soma 16 jogos, três gols e duas assistências pelo Verdão; pelo Atlético eram 120 partidas, 50 gols e 12 assistências, o que ilustra a dimensão do ativo vendido pelo Galo.

Do ponto de vista do Atlético-MG, o negócio representou a perda de seu principal centroavante, compensada financeiramente e em peças. Para o Palmeiras, o preço alto e o tempo reduzido de retorno esportivo reforçam o custo real de assumir riscos médicos em contratações de elite. A direção palmeirense insiste que a decisão era a melhor diante das informações disponíveis e do acompanhamento diário do atleta.

O caso expõe uma tensão recorrente no mercado: até que ponto o clube deve pagar caro por talento com histórico de lesão e qual o limite da gestão de risco médico e esportivo. Para torcedores e analistas, a operação vira referência sobre como avaliar custo, responsabilidade e planejamento quando uma contratação passa a demandar intervenção cirúrgica logo após a chegada.

A nova cirurgia foi planejada após avaliação no Mundial; acompanhamos o dia a dia e decidimos o momento certo.