Peter Grieve, investidor norte-americano que esteve próximo de entrar na SAF do Atlético em 2023, voltou a detalhar as negociações e os motivos que frearam o negócio. Em entrevista ao Canal do Frossard, ele disse que as tratativas avançaram até o ponto de uma assinatura, mas surgiram pontos inegociáveis que tornaram o acordo inviável.

Segundo Grieve, a ausência da Arena MRV na operação e o elevado nível de endividamento do clube foram decisivos. Ele afirmou que a proposta inicial foi apresentada com base no montante da dívida e chegou a ser aceita por órgãos financeiros, mas, ao revisar os termos finais, o investimento deixou de ter viabilidade: uma negociação sem o estádio e com as dívidas nas condições existentes não se mostrava equilibrada.

O episódio expõe um problema estrutural para o Atlético e para o modelo de atração de capital: dificuldades na inclusão de ativos estratégicos e no saneamento do passivo afastam investidores que buscam segurança financeira e potencial de retorno. Para o clube, a mensagem é clara: sem revisar modelo de negócios, envolver o patrimônio necessário ou melhorar condições de endividamento, a captação fica comprometida.

Apesar do impasse, Grieve disse manter interesse no Galo e chegou a afirmar que o clube é o único brasileiro em que quer investir. A posição do investidor deixa uma janela aberta, mas também acende a necessidade de maior clareza na gestão da SAF — seja na gestão de ativos, seja na comunicação com potenciais parceiros — caso o Atlético queira converter interesse em capital efetivo.