O Atlético chega a mais um compromisso como visitante com um histórico que pesa: são quatro derrotas em quatro jogos fora no Brasileirão 2026 e, em um recorte que cobre desde 2024, apenas sete vitórias em 42 partidas, aproveitamento de 25,4%. O número expõe uma dificuldade estrutural longe de Belo Horizonte que não se limita a uma temporada ruim.
A sequência negativa tem custo direto no desempenho em campeonatos. Nas duas últimas edições do Brasileirão, o aproveitamento como visitante ameaçou o clube com a zona de rebaixamento. Em 2024 o Galo teve 33,3% de aproveitamento fora (quatro vitórias em 19 jogos) e só evitou a queda na última rodada, com triunfo sobre o Athletico-PR. Em 2025 o quadro piorou: 22,8% e apenas três vitórias, todas contra equipes que acabaram rebaixadas.
Não posso responder por todos os jogos anteriores, mas desde que cheguei vejo sinais de evolução no time.
O desafio imediato passa pelo trabalho de Eduardo Domínguez. O técnico — o Barba — enfrenta agora uma maratona de 18 partidas até a pausa para a Copa do Mundo, sendo dez delas como visitante. A combinação de calendário apertado e descontrole fora de casa amplia a necessidade de ajuste tático, motivacional e de foco coletivo.
No último confronto fora, a derrota por 1 a 0 para o Fluminense no Maracanã expôs falhas na concretização das chances: o Atlético criou mais oportunidades claras, mas pecou no aproveitamento. A partida trouxe à tona a contradição do discurso de evolução da equipe diante da incapacidade de converter desempenho em pontos longe de BH.
A gravidade do retrospecto exige respostas objetivas da comissão técnica e também reflexões da diretoria sobre reforços, preparação física e mentalidade em jogos fora. Para além de justificativas, o clube precisa transformar ritmo de jogo e organização defensiva em saldo positivo quando atuar longe da torcida.
Temos de nos livrar desse retrospecto e trabalhar com firmeza para que a equipe imponha a nova forma de jogar.
Se a preservação do projeto passa por resultados, o cartão amarelo já veio: o histórico recente deixa pouco espaço para erros e amplia a cobrança sobre Domínguez, que terá de demonstrar com resultados imediatos que a tal "evolução" citada nas entrevistas se traduz em pontos.