O Atlético-MG estruturou um plano explícito para a integração de jogadores da base ao time principal, detalha Rodrigo Leitão, treinador de desenvolvimento individual. Na relação oficial do clube aparecem oito atletas formados internamente entre os profissionais — entre eles os goleiros Robert e Pedro Cobra, o zagueiro Vitão, o lateral Pascini, os meias Índio, Cissé, Iseppe e o atacante Cauan Soares. Nos últimos jogos, Pascini e Cauã Soares foram os mais utilizados, com o lateral inclusive marcando gol decisivo na Copa do Brasil.
Leitão descreve um processo de uso criterioso: alternância entre banco e campo, convocações pontuais para o Sub-20 quando pertinentes e intervenções individualizadas no treinamento. O caso do zagueiro Vitão, que integrou treinos do profissional e depois atuou pelo Brasileiro sub-20, ilustra a ideia de acomodar horários e competições conforme as necessidades de desenvolvimento, não como contradição, mas como etapa do processo formativo.
O discurso rejeita o rótulo de cautela excessiva — "não é queimar etapa" é o argumento central — e aponta para um objetivo claro: projetar esses atletas no futebol nacional e internacional, gerando desempenho em competições de alto nível. Há um trade-off implícito: dar tempo ao desenvolvimento reduz o risco de prejuízo à carreira do jogador e protege o investimento do clube, mas também exige paciência diante da pressão por resultados imediatos.
A aposta passa por trabalho individualizado, com intervenções customizadas segundo a reação de cada atleta à exigência do profissional. Para Leitão, isso aumenta as chances de os jovens chegarem prontos para disputar Libertadores, finais e títulos, transformando a formação em retorno esportivo e econômico para o clube — desde que o processo seja mantido com disciplina e alinhamento entre comissão técnica e diretoria.