Aos 15 minutos do segundo tempo, Reinier resolveu o jogo para o Atlético-MG com um tiro de fora da área que encontrou o ângulo de Fábio e abriu o placar do 3 a 1 sobre o Fluminense. A cena teve peso simbólico: substituído aos 31 minutos da etapa final, o meia deixou o gramado sob aplausos — sinal de que o desempenho em campo começa a reverter as críticas.
O gol ganha ainda mais significado pelo histórico imediato do jogador no clube. Sem tanto espaço com o então técnico Eduardo Domínguez e em meio a episódios de atrito com a torcida — incluindo xingamentos a um torcedor durante trabalho no CT, o que resultou em punição do clube, e uma comemoração polêmica na Sul-Americana — Reinier precisava de atos futebolísticos para recuperar confiança e boa vontade.
Nas últimas rodadas ele apareceu com regularidade: além do tento contra o Fluminense, já havia marcado contra o Vitória e dado uma assistência antes da derrota para o São Paulo. Na Série A são quatro gols nesta temporada; no total pelo Galo são 57 partidas e sete gols desde que chegou, em agosto do ano passado. Com o calendário carregado e mata-matas pela frente, o camisa 10 tem encontrado mais oportunidades e as aproveita.
A atuação traz alívio e acende uma expectativa prática: o jogador pode transformar retas isoladas de bom futebol em sequência e diminuir a pressão sobre seu nome. Mas a redenção na arquibancada continuará vinculada a desempenho constante — um golaço ajuda, mas não basta para apagar episódios que causaram atrito. Para o torcedor, a substituição seguida de aplausos foi a imagem mais clara de que, potencialmente, a relação recomeça.