A SAF do Atlético-MG completa três anos com um saldo que mistura promessa não cumprida e necessidade de ajuste: sem conquistas de peso no período, com resultados esportivos abaixo do esperado e um torcedor cada vez mais descrente. A entrada dos 4Rs, em 2023, via venda de 75% aprovada pelo Conselho Deliberativo, trouxe expectativas de grande investimento; na prática, o protagonismo se concentrou nos irmãos Menin, enquanto Ricardo Guimarães e Renato Salvador passaram à condição de sócios minoritários.
No campo, o balanço é tenso. Em 2024 o time chegou a finais da Libertadores e da Copa do Brasil, mas não conseguiu superar o vice nas duas competições; o Brasileirão daquele ano foi a pior campanha da era SAF, com o clube caindo para a 12ª posição e brigando até a última rodada contra o rebaixamento. Em 2025 houve tentativa de reformulação do elenco e novo hexa no Mineiro, mas a série de frustrações nacionais se repetiu: 11ª colocação no Brasileirão e um terceiro vice em competições continentais após a derrota na final da Sul-Americana para o Lanús.
Fora dos gramados, a administração também passou por mudança significativa. Bruno Muzzi deixou o cargo de CEO e Pedro Daniel assumiu, alterando o discurso: de promessas de contratações de peso para priorização do controle da dívida e viabilidade operacional sem aportes constantes. Esse reposicionamento reflete uma realidade financeira mais rígida, mas também ampliou a cobrança externa sobre os proprietários, que veem no afastamento de Rafael Menin do dia a dia um sinal de desgaste na relação com a torcida.
A reação da arquibancada é mensurável: no primeiro semestre de 2026 a Arena MRV registrou a pior média de público desde a inauguração no recorte de 17 partidas — 402.375 presentes no total, média de 23.669 torcedores por jogo, contra média de 33.817 em 2024. Para tentar reverter o quadro, o clube criou o Conselho da Massa e busca medidas para tornar a experiência no estádio mais acessível, além de ajustar o planejamento esportivo a uma realidade orçamentária mais contida.
O efeito político e esportivo desse triénio é claro: a SAF deixou de ter a “lua de mel” com a torcida, a gestão enfrenta pressão por resultados e transparência, e a fragilidade do desempenho compromete receitas e apelo comercial. Se a meta anunciada por Pedro Daniel é equilibrar contas e devolver competitividade, a agenda agora exige um plano de curto prazo que reconquiste o torcedor e, ao mesmo tempo, dê sustentabilidade financeira ao projeto — um desafio que terá implicações diretas na estratégia de contratações e nas prioridades dos acionistas.