A vitória do Botafogo sobre o Racing, com gol de Danilo nos acréscimos, foi até aqui a exceção que confirma a regra: a Sul-Americana tem sido subestimada pelos clubes brasileiros. Em 14 jogos disputados até o momento, o desempenho nacional soma seis vitórias, três empates e cinco derrotas — números que contrastam com o prestígio atribuído à Libertadores e com as expectativas internas.

A explicação passa por escolhas administrativas e culturais. Escalações alternativas, técnicos poupando viagens e prioridades financeiras voltadas ao Brasileiro ou à Copa do Brasil resultam numa equação perigosa: a crença de que a qualidade individual compensa falta de empenho coletivo. Exemplos recentes — o empate do Santos com o Recoleta, a derrota do Vasco para o Audax Italiano em partida que teve ausência de comando técnico e a dificuldade do Grêmio frente ao Riestra — ilustram o problema.

Há também um aspecto econômico que alimenta o desdém: a premiação da Sul-Americana é menor do que a de outras competições, argumento usado por clubes para hierarquizar objetivos. Ainda assim, reduzir um torneio continental a caixa é perder de vista o que constrói times vencedores: repertório, rotinas de decisão e respeito a cada adversário. A competição, a despeito do humor brasileiro, é um título relevante e oferece palco internacional.

A consequência prática é óbvia e evita retórica: tratar a Sul-Americana como segunda opção cobra preço no campo e na reputação. Desde a adoção da final única, apenas o Atlético-PR conseguiu erguer a taça entre os brasileiros — um sinal de que a estratégia do desprezo raramente compensa. Se clubes querem recuperar prestígio continental e formar uma cultura vencedora, é preciso prioridade real, planejamento e menos soberba.