O Atlético-MG vive um momento em que o rodízio imposto por Eduardo Domínguez deixou claro um novo mapa de titularidade. Jogadores que foram referência em temporadas anteriores hoje aparecem com participação reduzida — um sinal de reconfiguração tática e de prioridades que passa a incomodar parte do quadro mais experiente.

Gustavo Scarpa, que chegou a ser o jogador com mais atuações em anos recentes (65 jogos em uma temporada e 66 em outra, com 53 como titular em um desses ciclos), perdeu protagonismo. Em 2026 disputou 20 partidas, começou no banco em nove e, desde a chegada de Domínguez, foi titular apenas três vezes. O reforço para a rotação existe, mas a mudança de status coloca em evidência o desafio de conciliar minutos e expectativas, especialmente com Scarpa sob contrato até 2027.

No meio-campo, Igor Gomes também vê a participação cair: foram 60 jogos em temporada anterior contra apenas 13 em 2026. Sob o comando de Domínguez, o meia foi utilizado em quatro dos 13 compromissos (duas vezes como titular e duas saindo do banco), e termina o vínculo com o clube ao fim deste ano — circunstância que exige definição entre utilizar, negociar ou liberar o jogador.

A defesa segue com dúvidas semelhantes. Junior Alonso, antes quase intocável, foi titular em cinco das 13 partidas, mas sequer entrou nas últimas quatro. Ruan Tressoldi aparece como único absoluto na posição; Vitor Hugo e Lyanco disputam a outra vaga, enquanto Alonso e Ivan Román ficam como opções secundárias. Paulo Bracks não descartou uma saída do paraguaio e lembrou, ao mesmo tempo, da importância da trajetória do zagueiro no clube. O cenário aponta para um verão decisivo: além de ajustar o time taticamente, a diretoria terá de tomar decisões claras sobre contratos, saídas e renovação do equilíbrio do elenco.