O dia 24 de julho de 2013 ficou marcado como a virada de chave do Atlético-MG: a conquista da Libertadores e a projeção continental que se seguiu. Treze anos depois, porém, o clube vive o seu maior jejum do torneio: está fora da competição por duas edições consecutivas — a mesma distância registrada antes do salto que culminou no título. A contradição pesa no discurso alvinegro: já reconhecido como clube de elite nacional, hoje precisa provar na prática que mantém essa condição.
O impacto é duplo. No campo, a ausência da Libertadores reduz a exposição internacional e dificulta a atração e manutenção de peças, que afetou ciclos recentes do elenco. Fora dele, a perda de receita direta do torneio limita investimento e força escolhas de gestão: a volta ao principal palco continental deixou de ser apenas desejo esportivo para virar meta financeira e de planejamento. Em termos claros: não conseguir a classificação seria fracasso na principal meta do ano.
Existem três caminhos plausíveis para o retorno: classificação pelo Brasileiro, pela Copa do Brasil ou via Sul-Americana. O trajeto pela Série A é mais desafiante: o time fechou o turno na 11ª colocação, com 25 pontos, a sete do quarto colocado e cinco do quinto — posições que hoje dariam vaga direta ou prévia. Na Copa do Brasil, o Atlético encara o Juventude nas quartas de final; na Sul-Americana, aguardará o vencedor de RB Bragantino e Sporting Cristal para conhecer o adversário nas oitavas.
No plano técnico, a janela de retomada passa por ajustes e por nomes que possam oferecer soluções imediatas. Entre as discussões está a possibilidade de figuras com identificação com a torcida — como Bernard — assumirem papel de protagonismo no returno. É um recado de urgência: o time precisa combinar personalidade e resultado, sem depender apenas do prestígio histórico para convencer dentro de campo.
A pressão é clara e natural: a falta de Libertadores corrói alternativas orçamentárias e aumenta o peso de decisões esportivas no curto prazo. Para a diretoria, a encruzilhada exige prioridades bem definidas; para o elenco, entrega e consistência. O resultado prático é simples: o ano terá sucesso se houver o retorno continental. Caso contrário, a temporada ficará marcada como oportunidade perdida.